17 de out de 2010

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4 de out de 2010

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM
Dificuldades de aprendizagem é um termo que desperta a atenção para a existência de crianças que freqüentam escolas e apresentam vários tipos de dificuldades na escola, embora não apresentam aparentemente defeitos físicos, sensorial, intelectual ou emocional. Essas crianças por muito tempo foram ignoradas e mal diagnosticas
Nos últimos 20 anos, o número de aluno que manifestam dificuldades de aprendizagem tem crescido consideravelmente, e esses alunos muitas vezes perdem o interesse pela escola, ocorrendo além da dificuldade outros problemas relacionados.
Os pioneiros Alfred Strauss, psiquiatra e professor e Heins Werner, psicólogo e professor iniciaram um trabalho de investigação no âmbito das lesões cerebrais e da deficiência mental. Os trabalhos de Goldstein (1939 apud Fonseca, 1995) em adultos cerebralmente traumáticos em conseqüência de acidentes em guerra, influenciaram os estudos de Strauss e Werner em crianças com lesões cerebrais.
Segundo Correia e Martins (1997), caracteriza as dificuldades de aprendizagem em duas perspectivas: orgânica e educacional. Na perspectiva orgânica, as DA são desordens neurológicas que interferem com a recepção, integração ou expressão de informação, caracterizando-se em geral, por uma discrepância acentuada entre o potencial estimulado do aluno e a sua realização escolar. Na perspectiva educacional, as DA refletem uma incapacidade para a aprendizagem da leitura, escrita ou do cálculo ou para a aquisição de aptidões sociais.
Seguindo essa idéia Lozano e Rioboo (1998 apud Osti, 2004) dividem as dificuldades de aprendizagem em duas categorias: permanentes e transitórias ou temporais. A categoria das dificuldades permanentes faz parte do campo da área da educação especial e englobam deficiências neuropsicológicas como deficiência mental (leve, média, severa ou profunda), cegueiras, surdez, mudez, transtornos congênitos da linguagem oral, escrita e cálculo, paralisia cerebral, transtornos psicomotores, autismo, etc. E na categoria das dificuldades transitórias compõem deficiências no desenvolvimento psicomotor como orientação espacial, coordenação motora fina, esquema corporal, linguagem oral (dislalia, disfasia, disfonia), transtornos de compreensão e expressão da linguagem falada e escrita (dislexia e disgrafia), deficiência na habilidade de raciocínio lógico – matemático e solução de problemas. Nesta categoria pode englobar dificuldades devido a baixa qualidade sócio ambiental e cultural, inadaptação familiar, baixa estimulação cognitiva, afetiva, emocional e de linguagem, transtornos de conduta e afetivo emocionais como hiperatividade, depressão, ansiedade, agressividade e baixa tolerância a frustração.
Fonseca (1995) caracteriza os problemas mais comuns das crianças que apresentam D.A., sendo eles:
a) Dificuldade de atenção: apresentando dificuldade em focar ou fixar a atenção;
b) Problemas perceptivos: sendo os mais freqüentes visual e auditivo;
c) Problemas emocionais;
d) Problemas de memória: apresentando freqüentemente problemas de memorização, conservação, consolidação e retenção das informações recebidas.
e) Problemas cognitivos;
f) Problemas psicolingüísticos; apresentando um déficit nos processos receptivos, integrativos e expressivos em conjunto com as desordens da linguagem falada e da linguagem escrita;
g) Problemas psicomotores etc..
Com relação sobre a incidência de crianças que apresentam DA em diversos países foi sistematicamente pesquisada e obtiveram-se dados como: Inglaterra, 14%; França, 12 – 14%; Canadá, 10 – 16%; Estados Unidos, 15% de crianças com dificuldades escolares nas séries iniciais de educação (HARRIS, 2000).
No Brasil, o problema estende-se á dificuldade principal de separar-se o distúrbio de aprendizagem de outros rótulos, além de termos pouca adequação entre a idade cronológica e a série escolar. Nossas crianças apresentam o problema mais tardiamente do que outras populações, porque o distúrbio ou a dificuldade escolar manifesta-se após a entrada da criança na escola.
A identificação das dificuldades de aprendizagem no ambiente escolar não se constitui em tarefa fácil, e muitas vezes, a alternativa dada envolve a colocação das crianças em programas especiais de ensino como o proposto para as salas de reforço ou de recuperação paralela, destinadas a alunos com dificuldades não superadas no cotidiano escolar. (Garcia, 1998). E isso pode gerar além da dificuldade de aprendizagem o fracasso escolar, prejudicando não só a vida escolar do aluno como também outros aspectos sociais, emocionais, familiares, etc.
A dificuldade de aprendizagem quase sempre se apresenta associada a outros comprometimentos. Estudos têm revelado que comumente as crianças com dificuldades escolares manifestam paralelamente prejuízos de ordem emocional e comportamental (GRAMINHA, 1994). Com essa afirmação, pode-se destacar também que a criança além de apresentar uma dificuldade na área de aprendizagem também pode ocasionar níveis elevados de stress, prejudicando ainda mais o seu desempenho escolar.
Este estudo sobre o stress infantil e sua relação com as dificuldades de aprendizagem é de grande importância para as diversas áreas de conhecimento, principalmente no que se refere à prevenção.
Se atualmente, tem-se um número de adolescentes e adultos com níveis elevados de stress e apresentando grandes dificuldades na aprendizagem, causando sérias conseqüências, é imprescindível que seja feita um diagnóstico precoce e a prevenção que pode se dar na infância, identificando suas causas.
Faz – se necessário estudo aprofundado no que se refere ao stress infantil e sua relação com as dificuldades de aprendizagem, ajudando na identificação das causas para que possam ser trabalhadas, tanto no contexto escolar, familiar, social, etc.
Pensando sobre o stress infantil e sua relação com as dificuldades de aprendizagem, o presente estudo teve como objetivo identificar a relação entre stress infantil e dificuldades de aprendizagem em crianças de idade escolar.

STRESS INFANTIL

1. STRESS INFANTIL
O stress infantil está se tornando matéria de grande interesse. Provavelmente isto está ocorrendo como conseqüência da independência precoce, exigida das crianças.
Na infância e na adolescência as transformações ocorrem em grande quantidade e numa velocidade bem maior que na fase adulta, sendo esses períodos propícios ao surgimento de um nível de stress elevado. (FRANCA E LEAL, 2003).
Segundo Lipp e Col (1991), os sintomas do stress em crianças podem ocorrer em níveis físico, psicológico ou em ambos. Os sintomas físicos mais freqüentes são dor de barriga, dores de cabeça, náuseas, hiperatividade, enurese noturna, gagueira, tensão muscular, ranger dos dentes, dificuldade para respirar, distúrbio do sono etc.. Já os sintomas psicológicos são a ansiedade, terror noturno, pesadelos, dificuldades nas relações interpessoais, desânimo, insegurança, agressividade, choro em demasia, tristeza, birra, medo excessivo.
O stress infantil pode ter causas externas e internas, da mesma forma que ocorre com o adulto, mas essas causas são diferenciadas. Segundo Lipp (2003,) os fatores externos que mais causam stress na infância são: mudanças significativas ou constantes, responsabilidades em excesso, excesso de atividades, brigas ou separações dos pais, morte na família, exigência ou rejeição por parte dos colegas, disciplina confusa por parte dos pais, nascimento do irmão, troca de professores ou de escola, mudança de vizinhança, pais e professores estressados, etc.. Os fatores internos são os do próprio indivíduo, que o levam a reagir e a sentir-se de determinado modo. Esses fatores que geram stress na criança são: ansiedade, depressão, timidez, desejo de agradar, medo de fracasso, medo de que os pais morrem e ela ficar só, medo de ser ridicularizada por amigos etc..
Uma situação pode ou não ser estressante para uma criança, dependendo do estágio de desenvolvimento emocional em que ela esteja. Há crianças que parecem ser praticamente invulneráveis às tensões da vida, e outras são sensíveis ao stress. A maneira como a criança lida com seu stress vai determinar sua resistência às tensões da vida adulta.
Independentemente da causa, o stress infantil pode levar a problemas sérios, tais como: asma, úlceras, alergias, distúrbios dermatológicos, diarréia, tiques nervosos, dores abdominais etc.. Quando o sistema imunológico é afetado, a resistência da criança é reduzida e ela se torna vulnerável a qualquer vírus a que esteja exposta, como a gripe, e podem aparecer úlceras, hipertensão arterial, obesidade e bronquite, Isto pode ter como elemento desencadeador uma crise de stress excessivo e prolongado. (Lipp, 1991).
Uma pesquisa realizada por Lipp, Arantes, Buriti e Witzig (2002) sobre a presença de sintomas de stress em 255 escolares de 7 a 14 anos de escolas públicas e particulares. Constatou-se que o tipo de escola tinha forte associação com o nível de stress nos alunos e que o número de meninas com stress era significantemente maior do que nos meninos. Verificou-se que o stress estava presente na primeira série e ia diminuindo gradativamente nas séries posteriores. Os dados indicam uma necessidade grande de se buscar meios para que as crianças sejam incluídas no sistema educacional de um modo mais adequado, evitando assim um aumento do nível de stress da vida escolar.
Diante das várias causas que geram o stress, outro fator importante que pode vir a desencadear um stress mais intenso é a escola, pois é uma instituição que influencia diretamente as crianças. Juntamente com o stress elevado a criança pode apresentar sérias dificuldades de aprendizagem, dificultando ainda mais seu rendimento escolar.
Para que a criança desenvolva comportamentos e habilidades, é preciso que esteja adaptado ao método educacional, e que o ambiente escolar não seja uma fonte geradora de stress na vida do aluno. Um fator importante no sistema educacional é o professor, principalmente nos primeiros anos de ensino.
O comportamento e as atitudes do professor na relação com o aluno é fundamental, pois, segundo Patto (2000), o professor pode projetar nos alunos seus próprios complexos, dificuldades emocionais, conjugais, sociais, repetindo com a criança suas próprias experiências de uma educação equivocada ou sofrida. Isto pode causar confusão no aluno no processo de aprendizagem e a escola pode passar a ser uma fonte geradora de stress.
De acordo com a pesquisa, mostra-se que os alunos que apresentam um baixo rendimento escolar acabam tendo elevado nível de stress, o qual impede uma aprendizagem efetiva.
Experiências estressantes podem vir associadas com a escola e especificamente com algumas disciplinas acadêmicas como Matemática, Português, causando uma generalização tanto da matéria quanto do professor elevando ainda mais as reações de stress.
O stress provocado por diversos fatores do cotidiano esta cada vez mais alto em crianças, tanto no contexto escolar, com relação professor – aluno, conteúdos pedagógicos, relacionamento com colegas como no contexto familiar, com diversos acontecimentos que podem estressar a criança impedindo um bom desenvolvimento.
É importante considerar que o stress infantil não se manifesta isoladamente com a presença de alguns sintomas presentes na criança. É fundamental descobrir a causa do problema para desenvolver estratégias de lidar com um nível de stress mais excessivo, visando promover a saúde da criança para que ela consiga enfrentar as mudanças que ocorrem em sua vida, ajudando a ter um desenvolvimento mais saudável.
É fundamental conhecer fatores de stress e sua relação com as dificuldades de aprendizagem, para poder oferecer melhores condições de aprendizagem nas escolas, respeitando as diferenças de cada criança.

LEMBRANCINHA DIA DAS CRIANÇAS

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